segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Do que me passa ( camisetas rasgadas, pés cansados)


teria muito o que escrever, em dias de olhares focados em mim mesmo de mim mesmo por eu mesmo, percepcao em zoom. Sensacão de estada mais do que de ida, sensacao boa, desestabilizante.
Olhar para o lugar do desconforto e me transportar para o tal, parece que o mundo me chama, um convite eu escuto, um convite eu canto.
o lugar do medo é o lugar de onde se olha para o umbigo, tentativa de descobrir uma outra forma de falar do que doeria, do que machucaria, do que faria chorar.
E Rimos, sorrisos largos de meninos, agressões, formas de dizer e fazer parte. Comunhão pederastia, pornografia.
Projeto em comunhão, cartas, falas, musicas, tenis, boxe, luta, Santos, Imagens, risos, cansacos, olhares, testas, barrigas, pesos... amor. corpogaydade.

prometo voltar logo.

Pra reforcar:

"existir é como respirar, só que mais silencioso"

"Cada ser humano tem uma história de vida inacreditável"

"O amor e uma grande coincidência"

domingo, 12 de setembro de 2010

DAS TURBINAS DO CORPO ( TREINAMENTO, CIDADE, CAPITAL)




É no cerne do território-cidade e na ação do capital sobre ele que se faz pertinente para mim traçar possibilidades de diálogos entre práticas e formas de habitar com/no corpo.
O que se estabelece a priori como formas e modos de fazer dança na cena contemporânea hoje talvez seja – em primeira instância - um punhado de ideias que se manifesta de forma organizada, sistemática e contínua de inquietações, que a verbalidade não consegue dar conta. Talvez por isso mesmo o dar a ver de uma arte do corpo esteja recheada de elementos que deixam o expectador confuso, desconfortável, incomodado, desestabilizado, como se a “coisa” no momento do acontecimento da obra instalasse um momento de rebeldia, de manifesto, de provocação, apologia da necessidade de se fazer/praticar arte. Aqui, por vezes a relação de partilha se compromete, considerando que o que se entende como arte contemporânea não é ainda do domínio do tátil para aqueles que habitam um lugar que funciona na lógica do sistema, o capital.
O que se perde e o que se ganha na produção da arte contemporânea, na imposição de lógicas de existir? Onde o ganho e a perda se encontram e como se complementam? Será que o ganho e a perda acontecem no campo da Formação? Como o capital determina a Formação e como nos defendemos de recortes que reproduzem o discurso do capital em nossas produções?
O momento privilegiado do estar junto para se pensar dança, ou qualquer outra instância onde se estabeleça um discurso de/em arte contemporânea, parece que surge cada vez de forma menos potente. Observa-se no cenário das produções de dança contemporânea do país um escasso número de trabalhos que tem como ponto primordial para sua efetivação a grupalidade. As companhias de dança dão lugar cada vez mais à proliferação - muito bem-vinda- de trabalhos solos, duos e pequenos grupos. Talvez seja um indicador de como a lógica do capital proporciona apartes, separatismos, individualidades que proporcionam a eficiência de uma sozinhez e a permanência nela, como possibilidade de existência enquanto artista. Observar tal trajetória é constatar que algo está mudando e constatar também que o capital tem grande influência no campo da produção artística.
Para além do campo do afeto existem espaços e instâncias onde o sistema se manifesta em voz alta, plenificando e fortalecendo processos outros de composição, habitares que dão lugar ao efêmero, que por sua vez conversa diretamente com a problemática do que se institui como sociedade de consumo. A plenificacão de estados de sozinhez conversam com tal lógica. Investigar tal relação de perto é ficar atento para formas de desestabilizar um não-possível.
O projeto de encontros do Tecido Afetivo trouxe discussões que fazem refletir sobre esta questão, assim como fez elaborar questionamentos sobre formas de diálogos entre o capital e fazer artístico. Quando pensa-se, por exemplo, na questão da formação de bailarinos, fica a dúvida se a ação proporcionada à dança que se faz hoje tem o poder de desalienar aquele que a pratica e também no sujeito que está na posição de receptor/colaborador/plateia. O que nos motiva e o que nos faz agir em nossos processos de criação? O que está para além do Capital? O que nos instiga a criar possibilidades de existência como artistas, mesmo sabendo que um futuro com acúmulo de capital provavelmente não será uma realidade? Como estabelecemos discursos críticos sobre habitar um mundo regido pela lógica do capital, sem fortalecer a relação dominantes x dominados? Estamos atentos a essas questões?
Se focarmos o bailarino, por exemplo, e analisarmos sua forma de estar no palco/museu/local de apresentação, sua presença está comprometida-atravessada por tudo o que lhe é exterior. É possível então pensar num fazer artístico criticizante que manifeste discordâncias inclusive com o nosso fazer no acontecimento da obra? Como esse corpo é turbinado? Como ele se presentifica? É turbinado de que? Se presentifica aonde? Essas questões talvez não encontrem respostas imediatas, não se manifestam isoladamente, como coisa que surge de um “self”, tais questões talvez sejam consequências do esgarçamento de viver no limite do “ter que se fazer presente” e do “ter que fazer turbinado”, imposições do sistema, muito mais do que exigências de competência artística.
Fortaleza, geograficamente, fica em uma beira de mar, de região, de atenção político-social, de abismos. A problemática social da cidade se esgarça de forma trágica: assaltos, assassinatos, drogas, transtornos mentais, prostituição. A riqueza da cidade está dividida entre algumas famílias de classe alta, que detêm a concentração de renda. Vivemos em uma cidade onde os privilégios são para pouquíssimos. O movimento da dança na cidade também se assemelha ao recorte de poder estabelecido pela sua geografia territorial-capitalística. O fazer dança em Fortaleza ainda encontra-se marcado pela prática nas academias, que direcionam também um dar a ver específico. Aqueles que saem de tal condição para experimentar outra forma de se praticar dança chega impresso de valores estéticos e sociais. Na maioria das vezes o diálogo com a dança contemporânea não se dá de forma confortável. Processos solitários de desestabilização se constituem, provocando a revisão dos conceitos e desmistificando pré-conceitos sobre a prática da dança que prescindam de espelho, sapatilha e linóleo.
O que se modifica em nós quando nos propomos essa descoberta? Ainda falamos de estranhamento, ao optarmos por pés descalços? O que determinou o desuso das sapatilhas de ponta, sapatos de sapateado, tchutchu? Em Fortaleza podemos perceber que quem tem dinheiro se familiariza mais facilmente com diversas técnicas de dança, enquanto quem não tem, como fica a espreita de oportunidades eventuais, cursos livres, workshops e projetos sociais que fomentem o trabalho em dança. O que sobra - a boa sobra – é o desejo de se presentificar na dança. E até aqui o capital se manifesta, limitando possibilidades, fomentando seleções competitiva e editais.
Como então traçar planos de trabalhos que provoquem afetos, que desestabilizem a lógica do impossível? Como pensar em uma não-presença que turbine a presença? E o que se estabelece como presença nessa lógica capitalista? Como não ser leviano?
Não quis fazer citações de Marx, Engels, Gadotti, Ivo Tonnet... Paulo Freire disse em algum lugar “o mundo não é, o mundo está sendo”. Estou tentando acompanhar o mundo, tentando entender por onde ele vai, fazendo minha crítica, ainda que calado, atravessado, mais sentido do que ofensivo, mais gente do que bicho, lutando internamente, estou tentando ser um “sendo”.
Um amigo outro dia me disse uma frase que me emocionou bastante, falou que estava quieto porque estava incendiando por dentro, tendo um incêndio interno, esses incêndios ninguém consegue ver ou apagar, nem sentir o cheiro do queimado, aquilo ficou em mim, achei bonita a imagem, assim como a achei dolorosa... quase que fez chorar, calei.
Pensar e sentir como um incêndio interno me parece lógico, a gente passa muito forno, quintura, secura na lida diária em nossos afazeres que se propagam externamente, para o mundo e com o mundo, o que vaza disso é o encontro, o mínimo de contato, as vezes como espinho que fura o dedo do pé, miudinho, mas faz ver. Fazer incendiar possibilidades, encontros, discussões e afetos parece também lógico e genuíno, pois isso escapa ao dizer, escapa ao tocar com as mãos, não se molha nem se queima.
Talvez o incêndio interno seja o que me turbina, e talvez o que faz o fogo crescer seja a resistência, que eu não me perca, que eu não desista, que não nos percamos, que não nos desistamos.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

aquele homem




Aquele homem (que tinha mania de agir como um menino) morria de medo de avião, tinha medo de muitas coisas: de não ter dinheiro, de não conseguir mostrar suas capacidades, de ficar no ostracismo, de ser esquecido pelos que o admiravam, tinha medo de se perder geograficamente e vividamente, se se mostrava forte era apenas para disfarçar silenciadamente a fragilidade que por vezes se apresentava como fraqueza.
Tinha nas mãos calos, na cabeça muitas idéias, no coração aberturas internas e no corpo fogo, chama, quente, a voz era pouca, tinha medo também de falar.
Andava sempre muito rápido, talvez com medo de que algum conhecido o reconhecesse na rua e o convidasse para um papo espontâneo sobre coisas que poderiam ser fúteis ou bobas demais, ele não se permitia o livre e a desobrigação, era carregado de responsabilidades que para ele eram a coisa mais importante da vida, embora aos olhos dos outros essas mesmas coisas fossem apenas o natural. E talvez aí morasse toda a sua angústia – Ele não sabia o que era o natural – a cada “novo tempo” que se iniciava perdia a noção do quando, do onde e do por que. Tinha várias questões, mas aparentemente só a ele próprio faziam tais questões alguns sentidos. Tinha medo de se tornar um homem triste e fazia da vida um eterno estímulo ao riso.
Caminhando em cidades desconhecidas (sim, ele viajava muito!) olhava para todos os lados querendo descobrir o que se escondia atrás de qualquer mínimo, atrás de qualquer corpo, atrás de qualquer possibilidade que se apresentava como coisa possivel-a-ele-também, tinha medo de não fazer parte, isso ia e vinha em sua cabeça como o palpitar de um metrônomo em trabalho.
Precisava sair, fugir, ou voltar para o lugar de onde surgiu, precisava fazer o caminho da volta para tentar achar o caminho para onde seguir, era perdido as vezes, grosso as vezes e extremamente dócil e sensível em umas outras vezes, não tinha amores certos, sua capacidade de amar era como a de amarrar e desamarrar cadarços, passava sempre por entre seus dedos, e pra ser mais sincero, ultimamente não estava usando sapatos com cadarços, preferia as sandálias ou os pés descalços.
Acreditava que uma hora acordaria do mundo sonhado no qual permaneceu adormecido por um tempo e escovaria os dentes mais como uma ação da vida cotidiana do que como uma necessidade fisiobiohigiênica, tomaria café mais com vontade do que com uma necessidade de se manter de barriga cheia, leria livros mais como um descompromisso do que um compromisso faria poesias, beijaria de olhos fechados, faria sexo de forma mais profunda e calma, como se não fosse uma máquina (era assim que os amigos, paqueras, rolos e outros adjetivos que preenchem a cama o chamavam e o conheciam, sim! Ele era bom de cama)
Sabia de suas necessidades de mudanças, sabia de sua in-maturação, sabia de muitas coisas. Sabia inclusive que não sabia de nada. Lia Filosofia, adorava falar de Aristóteles: ”O ser se diz de muitas maneiras” e se apegava a essa máxima para justificar suas caminhadas errôneas, seus fracassos de percursos, seus desejos mal saciados. Não era de todo ingênuo ou burro, era astuto e talvez por isso gostasse tanto de cachorros e gatos, eles também o são.
Gostava de chocolate e nunca resolveu sua relação com o cigarro, as vezes gostava de mulheres, era ciumento e possessivo, mimado e não entendia porque não tinha tido um filho com sua primeira e única esposa. Suspeitava das pessoas que o amavam, era inseguro nas relações, bebia muito, se alegrava imensamente no momento da embriaguez, cantava, falava bobagens e beijava e abraçava excessiva e inconvenientemente todos ao redor quando a sobriedade o abandonava, era engraçado, fazia caretas e mungangos.
Aquele homem não quer mais existir em tais condições, existe uma minhoca esperando um casulo dentro dele, liberdade e aceitação ele precisa entender, também precisa entender que o mundo é um eterno gerúndio e que palavras vêm e vão, discursos vêm e vão o tempo inteiro, não há tempo, não há tempo.
Cansado de reclamar para si mesmo procurou um papel, escreveu longas horas e depois releu pensando no que as pessoas o diriam se tivessem acesso a tais escritos, achou ridículo, riu sozinho com olhos fechados, olhou para o casaco no sofá daquele apartamento naquela cidade fria, abriu a janela, respirou tão profundamente que o frio entrou-lhe o corpo inteiro pelas narinas, resolveu dar uma volta... acendeu um cigarro, caminhou por horas e regurgitou todos os medos e as angústias, pensou várias vezes sobre que horas deveria sair de casa em direção ao aeroporto.
Como de costume chegou 5 horas antes do vôo, (tinha medo de avião, mas tinha mais medo de perder o vôo), procurou um lugar para fumar. Acabou o cigarro. Olhou mais uma vez para aquele universo de tantas diferentes gentes, se sentiu feliz, olhou-se no espelho da porta automática e achou-se elegante, adentrou o aeroporto, pegou a fila do check in e se preparou para um novo recomeçar, apostando que em algum momento tudo seria um pouco diferente, embora o que o esperava fosse ainda tudo igual, do mesmo jeito, do mesmo tamanho. Acreditava na possibilidade do mesmo, o lugar comum também oferece algumas possibilidades – foi o que pensou por último. Lembrou que detesta avião e súbito esqueceu tudo o que havia pensado.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

naum sei


Tenho vivido dias de não acreditar, uma sucessão de fatos me desestabilizam, me transferem de eixo, me tiram a sustentacão. o mundo é um urgir imediato.
acompanhar parece sofre, parece nao caber, a vida não cabe, não se tem tempo para viver!

vendo um filme de Capra fiquei com a frase na cabeca...

Life feels it self!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

em erupcão


Um estar em mim que se faz bicho recuado,
um desejo de novos
Uma potência storvada na minha palavra
Uma vontade de ir... ou de ficar e explodir de alegrias
Uma recusa as tristezas e afetos tristes
Uma necessidade de recomecar e recarregar pilhas
Calcar os velhos sapatos, disritmar palcos silenciosos
estar junto de boas vontades e desejos compartilhados,
Para além de um incêndio interno existe uma erupcão de desejos em mim por inteiro.

uma saudade.

domingo, 11 de julho de 2010





Era como se em um momento de descuido eu me tornasse mais do que um.
era um mixto de papos bobos com projetos sérios de constituicões que de mim são desconhecidas.
Eu vi pessoas crescerem, eu vi pessoas sofrendo, eu vi pessoas amando, eu vi pessoas se fregilizando e se fortalecendo através das fragilidades... eu vi que eu era mais de um.

sábado, 3 de julho de 2010

coisas soltas


A vida que nunca me basta se constitui em dança, encontros, músicas e a freqüência da conjugação do verbo chegar. Eu danço, eu encontro e me reencontro no e a partir de o outro.
Eu nunca sei o que em mim fala mais do que eu sou. Porque corrompido pela sociedade do consumo que se estabelece através da lógica do capital, parece-me que existe em mim o que habita nos excessos, eu corro, eu ando pegando ônibus menos do que deveria. Eu tenho duas casas e uma terceira que é o lugar onde sou um rei, filho, neto e vizinho. Eu danço, eu corro para dançar, eu reúno afetos em uma sala que de tão grande se faz pequena para a imensidão de energias produzidas de unos tão particulares e variados, existem grandes, pequenos, negros, brancos, gays, jovens, adultos e existimos todos nós juntos.
O amor que eu pensei haver me deixado se fortalece entre as embriaguezes e estados de torpor eufórico. As bocas que beijei se manifestam sedentas, calorosas, algumas me criam calos, como um quase desespero de encontro libídico, eu fecho os olhos no momento dos beijos e tenho medo de cair, é a embriaguez falando alto, me sinalizando o tempo de ir para casa.
Paquera no Arlindo, tentativa de beijo em outro local, mudança de território, mudança de sentidos e afetos... Olhou-me... Mudou a geografia... Esnobou-me.
A copa do mundo acabou para o Brasil, o país que se estabelece como potencia nacional por causa do futebol volta pra casa com sua moeda de troca desvalorizada, não somos mais uma camisa 10, continuamos sendo uma bunda e um samba, vixe e agora com a desvalorização da camisa... é bem arriscado que sejamos também um par de peitos. Ai ai ai que país lindo e estranho esse nosso.

Hoje me bateu uma saudade enorme de Chicago.

Volto depois!