terça-feira, 20 de março de 2012

Das observações sociológicas



Fortaleza é uma metrópole que concentra a sua riqueza em uma pequena parcela da população, a outra parcela – que é muito maior do que a primeira – tenta se equilibrar ocupando cargos de trabalho onde a vantagem salarial não é muito satisfatória (satisfatória no sentido de satisfazer no cerne da origem da palavra, às necessidades básicas como alimentação, saúde, segurança e cultura) e assim a grande parte do dinheiro que gere a cidade está nas mãos daqueles, que com o poder do dinheiro nas mãos, faz crescer cada vez mais o ciclo da riqueza (o pequeno e injusto ciclo) e o ciclo da pobreza (o grande e mais injusto ainda ciclo).
Esse tipo de recorte social agrega uma série de problemáticas sociais fazendo com que as injustiças se perpetuem de forma desumana, fazendo quem é rico cada vez mais rico e quem é pobre cada vez mais pobre. Para além da discussão da riqueza e da pobreza existem fatos sociais que tentam de alguma forma mascarar e disfarçar a brutal desigualdade imposta pelo capitalismo, fazendo com que nos esqueçamos – ainda que momentaneamente – da real e dura realidade de conjuntura que uma cidade como Fortaleza vive. Nesse âmbito vivemos tentando nos equilibrar entre as demandas que o mundo – quase que inteiro – nos impõe através do sistema capitalista e o enfrentamento às desigualdades sociais que uma cidade como Fortaleza enfrenta devido à extrema desigualdade de renda entre a população. Nessa relação não existe um “não participar”, posto que somos agentes sociais, somos os causadores e os causados, somos os que agem e reagem, essa relação portanto é feita sempre no “agora”, segundo Peter Berger :
“... estar localizado na sociedade significa estar no ponto de intersecção de forças sociais específicas. Geralmente quem ignora essas forças age com risco. A pessoa age em sociedade dentro de sistemas cuidadosamente definidos de poder e prestígio. E depois que aprende sua localização, passa também, a saber, que não pode fazer muita coisa para mudar a situação.”
Berger nos coloca face a face com a força do capital, nos direciona a um reconhecimento do capital como fator condicional para o entendimento de nossas posições na sociedade.
Não podemos perder de vista o que simbolicamente representa morar em um país como o Brasil, um país lindo, diverso, festeiro. Somos um país que se apresenta tendo como principais símbolos: uma mulata, uma bola de futebol e um samba; na outra linha de simbologia temos o morro, a favela, a criminalidade e a prostituição, esses fatos são sempre cercados por discussões que não pretendem buscar saídas e resoluções sociais, quando se apresentam são como delatos e relatos, verdadeiros folclore sobre um povo que sofre ainda hoje os efeitos de uma colonização e um pseudo estado laico, dois fatos sociais que confundem ainda mais as operacionalizações da democracia e tentativa de igualdade social.
É no meio da bagunça social que se banaliza a condição humana, a micareta Fortal, por exemplo, é um fato social que apresenta explicitamente a extrema desigualdade através de estratificações sociais e relações de trabalho. Fortaleza é uma cidade que faz parte de um país festeiro, e assim como o país, tem as suas especificidades festeiras, existem, por exemplo, como manifestações de tradição cultural: Os maracatus, as bandas cabaçais, os blocos de carnavais, essas manifestações acontecem, ou aconteciam, de forma extremamente ritualística e democrática, proporcionando a todos os festeiros participantes as mesmas condições de diversões, o trabalho é dividido, a bebida é dividida, as ideias são divididas e não se pensava – na sua origem enquanto festas – em lucros, e sim em celebração, onde divino e profano se misturavam em perfeita harmonia.
Com o advento da classe burguesa e da concentração da renda nas mãos de poucos, outras formas de diversão foram se perpetuando através do tempo e foram se estabelecendo enquanto festa a partir da determinação do capital e daqueles que tem o poder do dinheiro.
O Fortal, dentro da cidade é um exemplo de como a sociedade Fortalezense se apresenta, a festa acontece desenvolvida dentro de uma hierarquia inacreditável e desigual, existem as categorias para a diversão e para o trabalho, o que determina essa hierarquia é a necessidade de se separar ricos de pobres. Na verdade o Fortal para acontecer reúne todas as categorias, essas se dividem e subdividem retratando o poder aquisitivo dos cidadãos. Existem a título de diversão os blocos, esses são subdivididos, existem uns blocos que são muito caros, existem os caros e existem os baratos; existem as arquibancadas, se você está nas arquibancadas você não pode entrar nos blocos, você fica se divertindo separado por divisões de madeiras dos que estão se divertindo nos blocos, significa que você não tem dinheiro suficiente para se misturar com os que estão com roupas iguais, ou seja, você só faz parte do bloco se seu poder aquisitivo lhe permitir comprar uma roupa igual a daqueles que você virá desfilando na sua frente, aí sim, você – praticamente, mas não teoricamente – será igual a eles. Existem as arenas VIPS, essas arenas não são caras quanto ter um abadá (as roupas iguais que falei), nem tão baratas quanto uma entrada nas arquibancadas, as arenas causam um pouco de mal estar nos que adquirem o abadá, porque quem compra uma entrada na arena vip em algum momento da noite habitará o mesmo ambiente que a pessoa que comprou o abadá estará, quem compra o abadá pode entrar em todas as esferas do ambiente no qual o Fortal acontece, isso significa socialmente “poder” e “poder” dentro de uma sociedade regida pelo capital não está no limite das divisões.
Para além dos blocos, arquibancadas e áreas VIPS, o Fortal agrega outras problemáticas, existem pessoas que trabalham no Fortal, literalmente separando os ricos dos pobres, esses são os cordeiros, eles ficam segurando cordas, de um lado das cordas estão os que conseguiram comprar um abadá, do outro estão os que não conseguiram comprar o abadá, o irônico nesse processo é que os cordeiros empurram os pobres para longe, durante o percurso, gritam, enxortam, como se estivessem acima da riqueza e da pobreza, se agarram ao trabalho de cordeiros como se fossem os gerentes da festa, perdem completamente a noção social de suas posições, a alienação toma de conta das cabeças e assim os cordeiros perdem a noção da gravidade social de sua função na festa, que, diga-se de passagem, não é deles.
Existem também os que habitam a margem dessa festa, os vendedores de cervejas, águas e refrigerantes que ficam espalhados no caminho, nas redondezas da festa, esses, aproveitam o momento para trabalhar, aumentando o grau de diversão dos festeiros, na maioria das vezes são profissionais que atuam em subempregos e aproveitam a oportunidade para aumentar a renda, trabalham durante horas caminhando com isopores pesados nas costas, ou sentados em bancos duros sem conforto nenhum ou proteção para as costas, esses se sentem cada vez mais distantes da possibilidade de adquirir um abadá.
É importante ressaltar que a título de estratificação social a maioria dos componentes do grupo de cordeiros, o grupo das arquibancadas e os trabalhadores vendedores são de cor negra, e a maioria é jovem, para fazer um contraponto a essa discussão Peter Berger diz que:
“... as possibilidades de mobilidade social de um indivíduo são nitidamente determinadas pela localização racial, uma vez que algumas das desvantagens mais prementes desta última são de caráter econômico. Assim a conduta, as idéias e a identidade psicológica de um homem são moldadas pela raça de maneira muito mais decisiva do que pela classe.”
Enfrentamos aqui então um problema de ordem diferente, que é a perpetuação da pobreza e subempregos como específico da raça negra, nessa perspectiva o Fortal se manifesta também como fato social disseminador de um pensamento que perpetua a raça negra como subalterna à classe branca.
Sabemos que uma sociedade democrática teria que proporcionar igualdade de direitos, sabemos também que é utópico pensar em uma sociedade igualitária, esta só seria possível com a morte do capital e acompanhamos o fortalecimento do capital a cada dia, o capital é como uma torneira aberta que derrama com a certeza que não vai cessar água. É preciso então pelo menos estar atentos, entender, definir as situações para esclarecer entendimentos, Berger também fala disso em seu texto,
“... um conceito muito usado em sociologia é o de definição da situação. Assim chamado pelo sociólogo americano W. I. Thomas significa que uma situação social é o que seus participantes crêem que ela seja, em outras palavras, para as finalidades do sociólogo, a realidade é uma questão de definição, é por isso que o sociólogo deve analisar atentamente muitas facetas da conduta humana que em si mesmas são absurdas ou ilusivas."
As manifestações, festejos que fazem parte da cultura do povo brasileiro tiveram ao longo da história uma condição de acontecimento que não condiz com o que se apresenta hoje junto às grandes massas. O Fortal se apresenta como festa segregadora, separatista, promove violência, violação de direitos, massificação de música de péssima qualidade, além de, escravizar pobres em benefício de ricos. As famílias das classes ricas entendem que comprar um abadá para seu filho é educativo, porque assim ele estará separado daqueles que poderiam causar algum mal, é nobre para uma família na cidade de Fortaleza comprar um abadá para o filho se divertir durante quatro noites. No outro lado da discussão é nobre para uma família de pobres saber que o filho está trabalhando como cordeiro no Fortal, separando ricos dos pobres, porque na linguagem do senso comum, separar pessoas tem a ver com “aquisição de poder”.
A discussão sobre a problemática perpassa também outra, que seria a relação de espaço público x espaço privado, pois não podemos esquecer que o Fortal durante muito tempo aconteceu na Beira-mar, o ministério público interveio e determinou que o espaço não poderia ser usado de forma privatizada, determinando assim que o evento planejasse um espaço próprio para o seu desenvolvimento. Preciso ressaltar que foi criado um espaço a Cidade Fortal, esse espaço é usado apenas uma vez no ano, não existe em suas dependências nenhum projeto social que dê retorno à sociedade fortalezense.
Vivemos hoje estratificados, é possível identificar isso através de fatos sociais como o Fortal, mas ele não é o único, nas procissões, nas missas, nos shows em clubes privados, nas escolas, nos hospitais, no mercado que rege a dinâmica sexual da sociedade, em todo lugar nos deparamos com recortes, identificamos facilmente onde podemos estar, o que determina isso é o poder aquisitivo, a linguagem do capital é de fácil acessibilidade, operar dentro dessa linguagem, é trabalho que necessita do recurso dinheiro. O que podemos fazer é estar atento, correr riscos como sugere Berger. Conhecer para correr riscos, essa talvez seja a grande descoberta de amenizar a dor da leitura e da identificação das estratificações sociais.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

das bobagens que me suspendem







Me cansa essa coisa dura que te revela e me eleva em desesperos, surtos e bronhas, é de ti que eu fujo pra me encontrar no paraíso de um outro alheio, tu me jogas na armadilha que me excita e me faz perverso de mim mesmo, kamikase de rodas gigantes, passarelas cortinadas de cacos de vidro e cascas de limão descascado e chupado por uma boca doce.

Fragilidade é estar aqui, é ser vivo, viver resiste em fragilidade e coincide com fortaleza, resiliência.

Bocas grandes de palavras soltas, murchas dez-preparadas palavras!

Olhar agridoce com um cuidado de levar pra casa, revisto, revisito, imponho em ponho!

Queria saber escrever cartas, não tenho intimidades com as palavras e as escritas, eu falo, eu sonho, eu me mordo, me violento me suficienteio!

É assim que te escondo, te apago, te relevo, te conjugo em verbo intransitivo do passado.


PS: Eu estive aqui, te vi, não venci!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Foi não, É! Obrigado Valéria Pinheiro!






Vinha da aula, dirigindo, ouvindo uma música que sugere uma rítmica e passei súbito a lembrar e rememorar os meus primeiros momentos de encontro com a técnica do sapateado. Preciso contextualizar um pouco.
Vim de Crateús para Fortaleza com o intuito de estudar para passar no vestibular, chegando à cidade bela me inquietei bastante com o movimento das esquinas do meu cursinho, eram cervejas, pessoas, comidas, muitas novidades para um garoto, que embora desde cedo cosmopolita, estava residindo, habitando outra instância de cidade (Grande?).
No meio de tantas novidades deparei-me com um teste para compor o quadro de alunos do extinto CAD (Curso de Arte Dramática da UFC), um curso preparatório para pessoas aspirantes à atuação teatral. Informei-me dos testes, me inscrevi e com a ajuda de dois amigos (que me instruíram nos ensaios para o teste) eu consegui uma vaga na tão sonhada turma. Achava eu que meu sonho seria esse, que meu encantamento com o campo das artes havia se realizado, que seria a atuação de ator que me manteria enquanto artista. Já que eu era também acadêmico do curso de Administração de Empresas da mesma instituição.
Em um encontro casual com uma pessoa de teatro, que outrora havia encontrado em Crateús, ouvi o seguinte: “Você precisa conhecer a Valéria Pinheiro” (ele comentou isso porque sempre manifestei um desejo absurdo por sapatear e já havia ensaiado por conta própria alguns passos), rebati de pronto: “preciso mesmo”...
Fui então ao encontro da Mulher do sapateado, entrei no teatro José de Alencar, casa cheia, procurei um local bem perto do palco, queria a qualquer preço conhecer de perto. A luz depois de um tempo acendeu e o espetáculo começou..................
Até hoje não consigo adjetivar a sensação daquele encontro, não sabia exatamente o que era aquilo, de onde vinha ou o que me dizia aquela simbologia toda, eu não sabia como, mas naquele momento descobri que era aquilo que eu queria fazer pra sempre, não sei onde está o meu sempre, mas até o momento de agora eu mantenho o desejo por aquilo, por aquela mulher, por aquele par de sapatos, por aquela música que minha legibilidade não decifrava, mas que minha alma entendia.
Voltei para casa, calado, não tinha muitos amigos, não tinha dinheiro nenhum pra tomar uma cerveja, na verdade, uma dose de cachaça, o dinheiro naquela época não dava pra tomar cerveja. Silenciei, e no meu silêncio descobri que era barulho o que eu queria fazer.
Aquela imagem ficou grudada em mim, como tatuagem, se paro para pensar quase que posso vê-la tatuada no meu corpo, como uma aliança, como uma relação que até ali naquele momento seria unilateral, eu o amante descarado, eu o vilipendiador, eu o que observa e deseja, eu em uma relação de perversão com aquela mulher que me conquistou quase que pisando em mim.
Cumprindo o papel de enamorado segui buscando mais sobre aquilo tudo, internet, livros, fotos em sites, conheci outros sapateadores com habilidades e competências similares, mas nenhum me deixou ereto, excitado (pau duro), não existe nessa escrita teor classificatório ou comparativo, mas a poesia e autoridade que me romperam naquele encontro, aquela sensação, eu nunca mais a vivi, nunca mais a possuí, como se nunca mais eu houvesse topado com uma “pedra no meio do caminho”, foi de desestabilidade que aquele encontro e o que reverberou dele me compôs, tal estado me acompanha até hoje.
Eu tenho muito, a vida me deu muito, eu corri muito atrás de tudo, hoje, o que sou mais grato à vida está escrito na relação que constituiu e que se constitui a cada dia mais potente com aquela mulher. Os encontros transformam o mundo... a poesia faz a vida suportável, a filosofia me dá esperanças, mas tem um lado do inalcançável que me angustia, isso consiste em minha impotência de se fazer entender o meu agradecimento, a minha gratidão, minha devoção e o meu amor por aquela mulher.
Foram 08-09 anos de trabalho ao lado dela, dancei ao lado dela em várias situações, me envergonhei, temi, idolatrei, odiei também em alguns momentos (amor e ódio não estão muito distantes) e sobrevivemos juntos. Estivemos juntos em outros países, em tantas cidades grandes, em tantas cidades pequenas, no meio do mato, trepados em árvores, mergulhados em lamas... segurou minha mão, me beijou, nos beijamos, me confortou, me encorajou, chorou comigo, me amou. Sapatos rasgaram, cadarços quebraram, chapas afrouxaram.
Ah! Dormimos juntos, dividimos quartos em hotéis, dormimos na mesma rede, usamos as mesmas camisetas, fumamos muitos cigarros juntos, aprendi, vivi, é de vida e coragem que ela pulsa.
Aquela mulher mudou o sapateado, o entendimento do sapateado dentro do Brasil e levou para o mundo, agradeço como sapateador; Ela me mostrou e mostra a quem está ao lado dela que o sapateado está além da técnica e do sapato, agradeço como bailarino; Ela identificou na minha fraqueza a minha fortaleza, agradeço como pessoa; Ela me mostrou que a fome, o frio, a dor existem, agradeço como irmão; Ela me mostrou o conforto de uma família e a dividiu comigo, como irmão novamente eu agradeço; Ela me ensinou a reconhecer um mestre a partir do que ela tinha dentro de casa, me fez perceber que eu também tinha um mestre em casa, como filho, eu agradeço, e extendo os agradecimentos ao seu Dorgival e ao meu vovô Apolinário; Ela me fez olhar a vida com os olhos de criança, me prometeu uma, como marido, companheiro, eu agradeço; Ela me fez entender que eu também sou importante, como gente eu agradeço; e o mais importante de todos os ensinamentos: Ela me ensinou a tratar todos como iguais, disso eu nunca esqueço. Ela foi o som, o silêncio, o suor, a sede, a dor, a alegria, a potência, a maturidade repleta de juventude, a coragem, o ritmo, a métrica, a batida, a batida, abatida, a batida, a batida, a batida... tum tictaquitacatá tum tictaquitacatá... tumtictaquitacatátictaquitacatátictaquitacatá tum tum tum tum tum tum tum tum tum tum e haja samba, e viva o samba dela!
Ela é infinita em minha vida
Meu amor e gratidão eternos.

PS: todas as cervejas do meu universo desconhecido das esquinas do cursinho... as redescobri também no encontro com ela.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Revendo







|Estados de^inquietude. existe uma coisa borbulhante em mim que se diz inteira, quente... me uso de panela em fogo aquecido, não me existo na paragem, eu me existo para além da inércia porque o que me move é voluntário, não é empurrado, não é lançado feito topada de pedra no meio do caminho.
As minhas noites insones surgem de lugares que passeio cansado, querendo, ainda borbulhando, uma referência outra de sentir. Eu sinto que quando existe a excessiva complacência eu deixo de sentir. As coisas mudam o tempo inteiro e realmente " O ser se diz de várias maneiras", ouvir os dizeres têm preço alto, às vezes impagável.
arua me move, as pessoas me movem, a vida me suporta, sempre tenho a sensação que sou maior e mais forte que a vida porque a vida apenas me suporta enquanto eu a questiono.
Entender o doce deslizar na calçada molhada da ilusão. a ilusão é uma coisinha delicada, molhada, escorregadia, faz até cócegas, brinca com o meu olhar, me convida hipoteticamente, me acaricia e eu digo sim para ela porque ela me faz entender a fragilidade de todas as coisas... as minhas também.
Ando sozinho para estar acompanhado, dirijo calmo porque sou excessivamente acelerado, eu sou uma coisa muito esquisita, não sei me digo de várias maneiras ou se as várias maneiras é que falam de mim. eu vou por aí, eu quero, eu desejo, eu o incerto, eu o que procura. Aqui dentro tijolos caem, paredes são levantadas ainda que com ausencia de tijolos, mas elas crescem. eu me derreto alguns dias, eu me visto de ferradura em outros. eu quero. eu vou. eu estou aqui.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

MEUS muitos, o único de mim!







Mudar de quarto. É assim que me sinto e me apresento por agora. Demoro muito a entender as coisas, lentidão supérflua, persistente. Não acredito que mudar de quarto seja abandonar, o antes, habitado, e sim conhecer o desabitado, ou, o preenchido por presenças desconhecidas cheias de desejos e sonhos que na maioria das vezes são irrealizáveis (os sonhos). É Preciso dizer que os sonhos muitas vezes fenecem, eles ficam abandonados no meio dos caminhos como rastros de caminhos que talvez não levem a lugar algum, em outra instância, o mudar de quarto não significa pessimistamente (essa palavra existe?) que não temos sonhos a realizar ou que os desistamos. Mudar de quarto é, para mim, por esse “agora” um ato político imanamente e humanamente necessário, mudar para não abandonar, para não desistir, para não cansar, fechar os olhos e ser mais um no meio de uma multidão de descrentes, sem sonhos, com as mãos calinadas de luta, bandeira de talo fino e quebradiço, buracos no pano.
Olhar de perto também organiza a casa, estar junto potencializa uma vida (não mais minha nem sua... apenas.) Entender a lógica da razão, das coisas (título de livro, acho bonita essa frase) parece o mais próximo do que poderíamos chamar de justiça. Eu quero isso para os meus, para mim, para os meus sonhos, para a construção de meus caminhos e parcerias, eu não quero ser vendado, vetado, vilipendiado, essas palavras impõem medo, desconfiança, insegurança, e delas tento me desvencilhar para estar com os “meus”. Preciso dizer também que quando falo “MEUS” é na condição de deslocamento gramatical da qualidade de pronome possessivo para afinidades, proximidades e entendimentos, com-parti-lha-mentos, de nomes sim, mas não de posses, nada de “ ivos”ou meu, teu dele.
Os que considero MEUS e que se fazem meus são os que acreditam na transformação, na tentativa, na atenção, no andar de mãos dadas que o poeta Carlos Drummond de Andrade propõe como política de construção. São meus os que não desistem, os que estão juntos, os que fortalecem parcerias e desdenham de falsos poderes e sórdidos empoderamentos. Preciso dizer também que entendo o poder como uma coisa positiva, as pessoas é que o negativaram com suas pequenezas e vontades sórdidas de se fazer grande para oprimir os que lhes servem. (eu não aceito isso, eu não aceito).
Ouvi outro dia de uma amiga querida, em uma mesa de bar, que ouvira de um amigo querido dela (na mesma mesa de bar) que “a gente deve amar o outro pela sua capacidade de ser livre” achei bonita a frase, guardei no bolso, escrevi em um guardanapo e aproveito pra dizer que é disso que se trata: Os meus são os que têm capacidade de amar em liberdade. De amar a minha liberdade e se enxergar também nela, porque amizade é construção e construção só é possível em liberdade pois se o que quero é ser o passarinho no dedo de alguém (como disse Rubem Alves) eu preciso entender de liberdade, de entradas, saídas, idas e vindas, choros e risos, eu preciso entender de dor, eu preciso entender de alegria e tudo isso é inerente ao ser humano, à nós que somos pequenos e frágeis então... mais inerente ainda!
Eis que então o “mudar de quarto” vem recheado de convites... A tudo isto, a essa liberdade que como Clarice Lispector diz... talvez seja algo ainda menor (ela acreditava em algo mais permitido do que a liberdade – e não conseguiu adjetivar)
Costumo acreditar no encontro, aprendi isso em contato com a dança, ainda aprendo, aprendo todos os dias sobre encontros, aprendo também sobre pesos, levezas, pobreza, beleza, eu aprendo sobre olhar a vida e me fazer parte dela, com o meu tamanho, com a minha fragilidade, com as minhas dores e minhas potencialidades (são muitas e aprendi a apostar nelas) eu aprendo muito, demasiadamente com os “MEUS” e é com eles que eu vou mudar de quarto e organizar uma vida dentro da sala, no corredor, na cozinha... vou sair girando, como um menino que brinca com sua mais nova descoberta, de braços abertos no quintal da casa que eu ainda não tenho desejo de abandonar.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Paixão - Trabalho - Dança








Não sei, mas me confundo... fonte de estudo não é o corpo (apenas?)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Estudando







São Paulo me enche de encontros, possibilita olhares novos sobre eu mesmo!
Estudando, descobrindo e revelando outras paixões, novas e fresquinhas, uma nova caminhada, um novo artista, uma nova paixão, um encontro que me reflete em espelhos borrados.

Estudando, estudando muito, alimentando a paixão... um encontro de desencontro!

Uma pena te perder, te encontrar quando tu não existes ais... breve estada, rápida partida... vou no rastro!